Foi contigo que eu aprendi a andar de bicicleta, foi contigo que eu dei a primeira queda, foste tu que não te importaste quando eu parti o primeiro prato, foste tu que me aturaste tantas horas dentro de água, foi contigo que eu conduzi pela primeira vez um carro (o nosso segredo), foste tu que nunca me disseste que não, era a ti a quem eu podia ligar a qualquer hora da noite a pedir ajuda…
Foi, foste, era… Não imaginas o quando eu gostava de ainda puder escrever os verbos no presente!
A coisa que eu mais odiava ouvir-te dizer era “se eu ainda for vivo nessa altura”, e agora, mais que nunca, percebo, o porquê! O facto de não te ter conseguido contar as minhas aventuras na Bélgica, o facto que não partilhar a alegria que tive quando saíram os resultados dos exames contigo, o facto de ter passado para o 12º e não ver a alegria nos teus olhos, o facto de não ter montado a árvore de natal contigo… Dói tanto, mas tanto, que me dá vontade de arrancar o meu coração do meu peito com as minhas próprias mãos!
Foi horrível naqueles dias as pessoas com quem era raro falar ou abraçar me falerem e abraçado tantas vezes e pelo motivo que foi, porque tu tinhas ido fazer uma viagem, tinhas ido, finalmente, usufruir daquilo a que tu tinhas tanto direito, mas ias VOLTAR…
“A dor que sentes agora vai passar e vão apenas ficar as saudades e as boas recordações!”, Não tenho dedos suficientes para contar as pessoas que me disseram isto, e o pior é que era mentira! Porque ainda hoje dói tanto e as saudades apertaram logo no primeiro dia.
Supostamente as pessoas boas nunca morrem! Então alguém me consegue explicar o que te aconteceu? Até hoje ainda ninguém o fez.
Por isso até me darem uma explicação plausível, vou vivendo e sobrevivendo…
Serás hoje e sempre, aqui e em qualquer lado, o meu pai natal!
AAMS
Palavras ... Sentimentos...
ResponderEliminarPara sempre....
A ajudante do Pai Natal.